Por que o Rio de Janeiro está fazendo canudos de plástico ilegais

AMOEBA (Junho 2019).

Anonim

O famoso litoral do Rio de Janeiro é conhecido em todo o mundo por sua incrível beleza, mas um problema crescente está manchando sua imagem icônica: a poluição plástica. A falta de saneamento moderno e regulamentações de descarte de resíduos soltos significam que a Baía de Guanabara, que alimenta o mar ao redor, se tornou o depósito de lixo da cidade nos últimos 20 anos. No entanto, pequenos e significativos passos estão sendo feitos para limpar as águas do Rio, começando com a proibição de palhas e sacos plásticos.

A Baía de Guanabara é uma das paisagens naturais mais impressionantes do Rio, emoldurada por um horizonte montanhoso e pontilhada de ilhas em águas calmas. No entanto, localmente, tornou-se sinônimo de águas poluídas e canais afogados, já que o lixo da cidade, do lixo ao esgoto, foi bombeado para a baía nas últimas duas décadas. Entre os piores pontos da cidade, estão perto do aeroporto internacional do Rio e das regiões vizinhas, onde pilhas de plástico obscurecem a costa arenosa da baía e representam um alarmante acúmulo de poluição plástica.

A condição da Baía de Guanabara ficou sob os holofotes internacionais em 2016, quando o Rio de Janeiro sediou as Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016. Atletas usaram a baía para vários jogos baseados em água, mas os inspetores de saúde encontraram níveis perigosos de vírus e bactérias resistentes a antibióticos na água, bem como grandes aglomerados de detritos flutuando na superfície. Na tentativa de limpar, o governo providenciou soluções rápidas, como as eco-barreiras, que mantiveram o plástico longe da costa para dar a aparência de águas mais claras, mas isso não lidou com a raiz do problema - o plástico ainda estava lá, apenas fora de vista. Agora, as autoridades do Rio estão procurando uma solução de longo prazo para reduzir a contaminação por plásticos no oceano da cidade.

A primeira mudança significativa é a proibição das palhas de plástico em toda a cidade, que foi aprovada pela prefeitura e agora aguarda a sanção do prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Bares e restaurantes serão obrigados a usar canudos feitos de materiais biodegradáveis ​​ou recicláveis, caso contrário, eles enfrentam uma multa de R $ 3.000 (US $ 777).

A segunda mudança significativa é a lei que proíbe todas as sacolas plásticas à base de petróleo de estabelecimentos comerciais, recentemente aprovadas e colocadas em ação em junho de 2018. As pequenas empresas terão 18 meses para implementar a proibição, enquanto as grandes empresas terão 12 meses. As sacolas plásticas serão substituídas por sacolas reutilizáveis ​​que deverão ser feitas com pelo menos 51% de materiais renováveis, como os bioplásticos feitos de cana-de-açúcar. Como maior produtor mundial de cana-de-açúcar, o Brasil possui recursos naturais para fornecer essa mudança com facilidade.

Politicamente, é um momento marcante para o Rio de Janeiro em sua abordagem à redução de plásticos. Com esse ato, o Rio está se juntando a uma lista de grandes cidades que implementam proibições similares em palhas de plástico e outros plásticos de uso único, como Nova York, Seattle e Bruxelas.

No entanto, a questão da poluição plástica na cidade não é novidade para algumas organizações que vêm tentando limpar as águas do Rio há anos. Fundado em 2016, o AquaRio é o maior aquário da América do Sul, com cerca de 3.000 animais representando pelo menos 350 espécies marinhas. Mas é mais do que apenas um zoológico marinho - também se concentra na educação ambiental e conservação da biodiversidade, destacando os efeitos nocivos que a poluição tem sobre a vida marinha e propondo possíveis soluções para o problema.

A AquaRio tem uma parceria com o departamento de biologia marinha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que ajuda a fornecer fundos para apoiar programas de reprodução de vida marinha rara e ameaçada de extinção. O aquário também sediou a cerimônia da campanha Clean Seas da ONU, onde anunciou a ambiciosa meta de eliminar a principal fonte de detritos marinhos até 2022.

Houve também vários projetos locais trabalhando para limpar as praias do Rio nos últimos anos. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil) organiza regularmente eventos no Rio que inspiram centenas de voluntários a recolher plástico da costa da cidade. O evento mais recente foi em março de 2018, onde voluntários coletaram um total de 135 kg de lixo. Outros projetos locais incluem o Recreio Limpo, um movimento que promove a proteção do meio ambiente no Recreio (um bairro no oeste do Rio) e tenta reduzir significativamente o lixo por meio de limpezas voluntárias.

A América Latina é responsável por apenas 5% da produção mundial total de plástico, mas importa bilhões de toneladas por ano. Como outros países em todo o mundo, o efeito de más práticas sobre o descarte de plástico só está sendo tratado adequadamente agora, o que significa que há grandes desafios pela frente para lidar com o acúmulo de plástico. No entanto, a combinação de medidas preventivas do governo e iniciativas locais que visam a limpeza dos destroços atuais é um começo promissor para a redução de plásticos no Rio de Janeiro.